
SEXTA-FEIRA SANTA
3/04/2026
Paramentos Roxos
O Ofício solene de hoje é celebrado na basílica chamada Santa Cruz em Jerusalém. Representa esta basílica a cidade de Jerusalém, e, conservando-se nela uma das principais relíquias do santo Lenho, mais particularmente relembra o lugar em que o Cristo foi crucificado. O imperador Constantino transformou o palácio de Santa Helena em igreja, agradecendo a vitoria que alcançara sobre seu adversário, “no sinal do Cristo”, em 312 .
Sexta-feira da Paixão e Morte do Senhor é o nome deste dia. Nele a Igreja não celebra o Santo Sacrifício da Missa. Em sinal de luto e para realçar mais a morte de Nosso Senhor na Cruz, ela congrega os fiéis em redor do Sumo Sacerdote que se oferece como Vítima pelos pecados do mundo. É dia de luto universal.
A solene ação litúrgica desse dia, que deve ser celebrada à tarde, das 15 horas, não, todavia, depois das 18 horas se divide em quatro partes: 1ª. as Leituras; 2ª. as Orações Solenes; 3ª. a Adoração da Cruz e 4ª. a Comunhão.
Coleta: (oração)
Ó Deus, que pela paixão de vosso Cristo, Senhor nosso, destruístes a morte herdada com o antigo pecado por toda posteridade, concedei que, tornando-nos semelhantes a Cristo e trazendo pela igualdade da natureza sua imagem terrena, possamos também trazer pela justificação a imagem de sua celeste graça. Por Nosso Senhor Jesus Cristo que contigo vive e reina na unidade do Espirito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.
I Leitura (Os 6, 1-6)
Eis o que diz o Senhor: Logo ao amanhecer, em sua aflição recorrerão a Mim, dizendo: Vinde, convertamo-nos ao Senhor; porque Ele nos castigou e Ele mesmo nos aliviará: feriu e nos há de curar. Depois de dois dias nos há de restituir a vida; ao terceiro dia nos ressuscitará e nós viveremos perante a sua face. Assim devemos pensar e agir para melhor conhecer ao Senhor. Seu despontar será como a aurora e virá a nós como chuva oportuna que cai de tarde sobre a terra. Que te posso fazer, ó Efraim? Que te posso fazer, ó Judá? Vossa piedade se assemelha à nuvem matutina e ao orvalho que se evapora. Por isso os fiz sofrer pelos profetas e matei-os pelas palavras de minha boca; teu julgamento virá sobre ti como um raio de luz. Porque eu prefiro a misericórdia ao sacrifício, e o conhecimento de Deus aos holocaustos.
I Tractus (Hab. 3)
Senhor, eu ouço a vossa palavra e estremeço; contemplo as vossas obras e tremo. ℣. Entre dois seres vivos Vos manifestais; quando os anos se houverem aproximado, sereis conhecido e quando o tempo chegar, manifestar-Vos-eis novamente. ℣. Então, quando a minha alma estiver perturbada, ante a vossa ira, lembrai-Vos de vossa misericórdia. ℣. Deus vem do Líbano e o Santo desce da montanha coberto de sombra espessa. ℣. Sua Majestade cobre os céus, e a terra se enche de glória.
Oremos. Ajoelhemos. ℞. Levantai-vos. Ó Deus, de quem Judas recebeu o castigo de sua culpa e o ladrão a recompensa de sua profissão de fé, concedei-nos o efeito de vossa misericórdia, a fim de que, assim como Nosso Senhor Jesus Cristo em sua Paixão, a um e outro tratou de modo diferente, segundo os seus méritos, assim também destrua em nós toda a antiga maldade e nos torne participantes da graça de sua Ressurreição. Ele que, sendo Deus, convosco vive e reina.
II Tractus (Sl 139, 2-10 e 14)
Senhor, livrai-me do homem mau; livrai-me do homem injusto. ℣. Eles intentam maldades no coração: todo o dia suscitam rixas. ℣. Aguçam as línguas como a da serpente; veneno de áspide têm sob os lábios. ℣. Guardai-me, Senhor, da mão do pecador, e livrai-me dos homens iníquos. ℣. Eles planejam derrubar-me. Os soberbos, às escondidas, me armaram o laco. ℣. E estenderam cordas para me prender os pés; à beira do caminho me puseram tropeço. ℣. Eu digo ao Senhor: Vós sois meu Deus; ouvi, Senhor, a voz de minha súplica. ℣. Senhor, Senhor, força de minha salvação, Vós protegeis a minha cabeça no dia da batalha. ℣. Não me entregueis, contra minha vontade, ao pecador: eles tramam contra mim; não me desampareis, para que se não ensoberbeçam. ℣. As deprecações daqueles que me cercam recaíam sobre as suas próprias cabeças. ℣. Então os Justos glorificarão o vosso Nome, e os de coração reto habitarão perante Vós.
Recita-se a Paixão de Nosso Senhor
Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo João. (18, 1-40; 19, 1-42)
Naquele tempo: 1.Depois dessas palavras, Jesus saiu com os seus discípulos para além da torrente de Cedron, onde havia um jardim, no qual entrou com os seus discípulos. 2.Judas, o traidor, conhecia também aquele lugar, porque Jesus ia frequentemente para lá com os seus discípulos. 3.Tomou então Judas a coorte e os guardas de serviço dos pontífices e dos fariseus, e chegaram ali com lanternas, tochas e armas. 4.Como Jesus soubesse tudo o que havia de lhe acontecer, adiantou-se e perguntou-lhes: “A quem buscais?”. 5.Responderam: “A Jesus de Nazaré.” – “Sou eu” – disse-lhes. (Também Judas, o traidor, estava com eles.) 6.Quando lhes disse “Sou eu”, recuaram e caíram por terra. 7.Perguntou-lhes ele, pela segunda vez: “A quem buscais?”. Disseram: “A Jesus de Nazaré”. 8.Replicou Jesus: “Já vos disse que sou eu. Se é, pois, a mim que buscais, deixai ir estes”. 9.Assim se cumpriu a palavra que disse: Dos que me deste não perdi nenhum (Jo 17,12). 10.Simão Pedro, que tinha uma espada, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. (O servo chamava-se Malco.) 11.Mas Jesus disse a Pedro: “Enfia a tua espada na bainha! Não hei de beber eu o cálice que o Pai me deu?".12.Então a coorte, o tribuno e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o ataram.
13.Conduziram-no primeiro a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano. 14.Caifás fora quem dera aos judeus o conselho: “Convém que um só homem morra em lugar do povo”. 15.Simão Pedro seguia Jesus, e mais outro discípulo. Este discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio da casa do sumo sacerdote, 16.porém Pedro ficou de fora, à porta. Mas o outro discípulo (que era conhecido do sumo sacerdote) saiu e falou à porteira, e esta deixou Pedro entrar. 17.A porteira perguntou a Pedro: “Não és acaso também tu dos discípulos desse homem?”. – “Não o sou” – respondeu ele. 18.Os servos e os guardas acenderam um fogo, porque fazia frio, e se aqueciam. Com eles estava também Pedro, de pé, aquecendo-se. 19.O sumo sacerdote indagou de Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina. 20.Jesus respondeu-lhe: “Falei publicamente ao mundo. Ensinei na sinagoga e no templo, onde se reúnem os judeus, e nada falei às ocultas. 21.Por que me perguntas? Pergunta àqueles que ouviram o que lhes disse. Estes sabem o que ensinei”. 22.A essas palavras, um dos guardas presentes deu uma bofetada em Jesus, dizendo: “É assim que respondes ao sumo sacerdote?”. 23.Replicou-lhe Jesus: “Se falei mal, prova-o, mas se falei bem, por que me bates?”. 24.(Anás enviou-o preso ao sumo sacerdote Caifás.)*
25.Simão Pedro estava lá se aquecendo. Perguntaram-lhe: “Não és porventura, também tu, dos seus discípulos?” Negou-o, dizendo: “Não!”. 26.Disse-lhe um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha: “Não te vi eu com ele no horto?”. 27.Mas Pedro negou-o outra vez, e imediatamente o galo cantou.
28.Da casa de Caifás conduziram Jesus ao pretório. Era de manhã cedo. Mas os judeus não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa.* 29.Saiu, por isso, Pilatos para ter com eles, e perguntou: “Que acusação trazeis contra este homem?”. 30.Responderam-lhe: “Se este não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti”. 31.Disse, então, Pilatos: “Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa Lei”. Responderam-lhe os judeus: “Não nos é permitido matar ninguém”.* 32.Assim se cumpria a palavra com a qual Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer. 33.Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: “És tu o rei dos judeus?” 34.Jesus respondeu: “Dizes isso por ti mesmo, ou foram outros que to disseram de mim?” 35.Disse Pilatos: “Acaso sou eu judeu? A tua nação e os sumos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?”. 36.Respondeu Jesus: “O meu Reino não é deste mundo. Se o meu Reino fosse deste mundo, os meus súditos certamente teriam pelejado para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu Reino não é deste mundo”. 37.Perguntou-lhe então Pilatos: “És, portanto, rei?” Respondeu Jesus: “Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz”. 38.Disse-lhe Pilatos: “Que é a verdade?...”. Falando isso, saiu de novo, foi ter com os judeus e disse-lhes: “Não acho nele crime algum.
39.Mas é costume entre vós que pela Páscoa vos solte um preso. Quereis, pois, que vos solte o rei dos judeus?”. 40.Então todos gritaram novamente e disseram: “Não! A este não! Mas a Barrabás!”. (Barrabás era um salteador.) 19. 1.Pilatos mandou então flagelar Jesus. 2.Os soldados teceram de espinhos uma coroa e puseram-lha sobre a cabeça e cobriram-no com um manto de púrpura. 3.Aproximavam-se dele e diziam: “Salve, rei dos judeus!”. E davam-lhe bofetadas. 4.Pilatos saiu outra vez e disse-lhes: “Eis que vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele nenhum motivo de acusação”. 5.Apareceu então Jesus, trazendo a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos disse: “Eis o homem!”. 6.Quando os pontífices e os guardas o viram, gritaram: “Crucifica-o! Crucifica-o. Falou-lhes Pilatos: “Tomai-o vós e crucificai-o, pois eu não acho nele culpa alguma”. 7.Responderam-lhe os judeus: “Nós temos uma Lei, e segundo essa Lei ele deve morrer, porque se declarou Filho de Deus”. 8.Essas palavras impressionaram Pilatos. 9.Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus: “De onde és tu?”. Mas Jesus não lhe respondeu. 10.Pilatos então lhe disse: “Tu não me respondes? Não sabes que tenho poder para te soltar e para te crucificar?”. 11.Respondeu Jesus: “Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior”. 12.Desde então Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritavam: “Se o soltares, não és amigo do imperador, porque todo o que se faz rei se declara contra o imperador”.
13.Ouvindo essas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado Lajeado, em hebraico Gábata.* 14.(Era a Preparação para a Páscoa, cerca da hora sexta.) Pilatos disse aos judeus: “Eis o vosso rei!”.* 15.Mas eles clamavam: “Fora com ele! Fora com ele! Crucifica-o!”. Pilatos perguntou-lhes: “Hei de crucificar o vosso rei?”. Os sumos sacerdotes responderam: “Não temos outro rei senão César!”. 16.Entregou-o então a eles para que fosse crucificado.
17.Levaram então consigo Jesus. Ele próprio carregava a sua cruz para fora da cidade, em direção ao lugar chamado Calvário, em hebraico Gólgota.* 18.Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio. 19.Pilatos redigiu também uma inscrição e a fixou por cima da cruz. Nela estava escrito: “Jesus de Nazaré, rei dos judeus”. 20.Muitos dos judeus leram essa inscrição, porque Jesus foi crucificado perto da cidade e a inscrição era redigida em hebraico, em latim e em grego. 21.Os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: “Não escrevas: Rei dos judeus, mas sim: Este homem disse ser o rei dos judeus”. 22.Respondeu Pilatos: “O que escrevi, escrevi”. 23.Depois de os soldados crucificarem Jesus, tomaram as suas vestes e fizeram delas quatro partes, uma para cada soldado. A túnica, porém, toda tecida de alto a baixo, não tinha costura. 24.Disseram, pois, uns aos outros: “Não a rasguemos, mas deitemos sorte sobre ela, para ver de quem será”. Assim se cumpria a Escritura: Repartiram entre si as minhas vestes e deitaram sorte sobre a minha túnica (Sl 21,19). Isso fizeram os soldados.
25.Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena. 26.Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: “Mulher, eis aí teu filho”. 27.Depois disse ao discípulo: “Eis aí tua mãe”. E dessa hora em diante o discípulo a recebeu como sua mãe.
28.Em seguida, sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir plenamente a Escritura, disse: “Tenho sede”. 29.Havia ali um vaso cheio de vinagre. Os soldados encheram de vinagre uma esponja e, fixando-a numa vara de hissopo, chegaram-lhe à boca.* 30.Havendo Jesus tomado do vinagre, disse: “Tudo está consumado”. Inclinou a cabeça e entregou o espírito.
31.Os judeus temeram que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque já era a Preparação e esse sábado era particularmente solene. Rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas e fossem retirados.* 32.Vieram os soldados e quebraram as pernas do primeiro e do outro, que com ele foram crucificados. 33.Chegando, porém, a Jesus, como o vissem já morto, não lhe quebraram as pernas, 34.mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança e, imediatamente, saiu sangue e água. 35.O que foi testemunha desse fato o atesta (e o seu testemunho é digno de fé, e ele sabe que diz a verdade), a fim de que vós creiais. 36.Assim se cumpriu a Escritura: Nenhum dos seus ossos será quebrado (Ex 12,46).* 37.E diz em outra parte a Escritura: Olharão para aquele que transpassaram.
38.Depois disso, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas ocultamente, por medo dos judeus, rogou a Pilatos a autorização para tirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Foi, pois, e tirou o corpo de Jesus. 39.Acompanhou-o Nicodemos (aquele que anteriormente fora de noite ter com Jesus), levando umas cem libras de uma mistura de mirra e aloés. 40.Tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no em panos com os aromas, como os judeus costumam sepultar. 41.No lugar em que ele foi crucificado havia um jardim, e no jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda fora depositado. 42.Foi ali que depositaram Jesus por causa da Preparação dos judeus e da proximidade do túmulo.
Palavra do Senhor.
R- Louvor a Vos ó Cristo!











